Pela segunda vez eu segui viagem para o Peru saindo do Brasil pelo Acre. Embora tenha se passado 3 anos da primeira viagem,com relação às condições viárias, pouca coisa mudou, buracos e mais buracos, principalmente de Rondônia em diante.Pagamos caro o IPVA, dinheiro que deveria ser usado para manutenção das ruas e rodovias, mas que na prática não está sendo utilizado para esse fim. Tivemos alguns imprevistos, minha roda amassada em Rondônia, mas que não comprometeu a utilização da moto, mas me deixou receoso quanto a aumentar o amassado em outro buraco ou amassar em outro local comprometendo a utilização da moto, mas graças a Deus, não houve mais problemas quanto a isso. Em Cuiabá, tivemos a ajuda do Carlos Jorge Romaneli, dos Guardiões do Pantanal, que nos auxiliou na passagem por Cuiabá até a saída da cidade rumo a Cáceres,a quem deixo meus agradecimentos pela ajuda e isso é o verdadeiro motociclismo, tenho orgulho de fazer parte dessa família motociclista. Já no Acre, chegando em Xapuri, fomos informados que em Brasiléia, que seria o destino do dia, estaria acontecendo um evento em alusão ao aniversário da cidade e que poderíamos ter dificuldades de encontrar hospedagem. Cogitamos dormir em Xapuri, a essa altura a corrente da transmissão da Versys do Tiziu já estava com problemas, estava folgada, porém decidimos acabar de chegar e nessa hora que vemos que Deus encaminha tudo para que seja resolvido.Ao chegarmos em Brasiléia, no primeiro hotel que procuramos, Las Palmeiras, que foi o que me hospedei em 2014, a confirmação, lotado e em toda cidade e inclusive na vizinha Epitaciolândia. Procurei o amigo Carpegiane, que conheci em 2014,fomos até sua hamburgueria e ele se dispôs a nos ajudar a encontrar lugar para ficar, nos ofereceu sua casa, mas como ficava muito próxima ao local do evento, praticamente dentro do evento, preferimos ver outras possibilidades antes de decidir. Ele entendeu nossa situação, precisávamos de local mais tranquilo para podermos descansar e fez alguns contatos com outros irmãos motociclistas e enquanto ligava para um amigo, passou na rua o Bira, motociclista de Brasília e trabalha no consulado brasileiro em Cobija, que faz fronteira com Brasiléia, sendo chamado pelo Carpeggeane e ao saber da nossa situação nos convidou para pernoitar em sua casa, que ficava do lado boliviano. Aceitamos o convite e ao comentarmos que no dia seguinte teríamos que procurar uma oficina para ver a transmissão da Versys, ele imediatamente fez uns contatos e um cara que se tornou nosso amigo, Solivan, que tem uma oficina em Epitaciolândia, na divisa com a Bolívia, abriu sua oficina após as 19hs para verificar a moto do Tiziu e constatou que o problema era na corrente, mas não havia modelo que servisse na moto e pediu que voltássemos no dia seguinte para que procurasse em outras oficinas a corrente e ele nem abria a oficina aos sábados, inclusive adiou sua ida com a família para a chácara para nos ajudar. Contatos feitos, encontrou em uma loja em Rio Branco a corrente e por providência divina, o irmão do dono de uma oficina em frente iria para Brasiléia naquela manhã para a festa da cidade, buscou e levou a corrente e não foi preciso gastar com taxi para o transporte. Bira, agradecemos muito pela hospitalidade, pelo companheirismo, pela ajuda, Solivan, valeu por ter aberto sua oficina fora do horário para nos ajudar e me fugiu o nome, ao proprietário da oficina em frente que nos cedeu o espaço para que o Tiziu pudesse fazer a troca da corrente e ao Carpeggeane que iniciou todo o processo. No Peru, bem diferente da outra vez, nenhuma dificuldade em abastecer as motos, todos os postos abasteceram e a quantidade de locais que aceitam cartão aumentou consideravelmente, mostrando a evolução do país. Tive a experiência de andar de moto com neve caindo, nunca havia pensado em ver neve caindo, ainda mais andando de moto, mas não foi o dia mais frio que já andei de moto, no Paso Jama em 2014, pegamos -5º, sem neve e no momento da nevasca estava -3º. Machu Picchu continua com todas as pedras no lugar, rsrsrsrs, mas a sensação é como se fosse a primeira vez, recarrega as energias estar naquele local e que em breve irei novamente, mesmo sendo caro a passagem do trem e do ônibus para subir até a entrada. Las Islas Flotantes de Los Uros, local espetacular, até hoje não sei como preferi ver a abertura da Copa a ir conhecer aquele lugar, fantástico e bem acessível o passeio, 25 soles, com a van buscando no hotele levando até o cais e trazendo de volta e o barco para chegar nas ilhas incluído. Cusco dispensa comentários, na próxima ida vou querer ficar mais dias nessa cidade. Em Desaguadero, lado peruano, a propina foi legalizada, paga-se 5 soles para sair do país, só lá tem isso, na saída para o Chile não existe essa "taxa", paga-se e dão o canhotinho comprovando o pagamento e legalizando essa "taxa".Já na Bolívia, apesar de ter passado sem precisar dar nenhum centavo à polícia, tive a experiência de andar de moto na temperatura mais fria que já presenciei, -8º na saída de Desaguadero, margeando o lago Titicaca, tanto do lado peruano quanto do lado boliviano, o nome da cidade é o mesmo. Eu não gostei da experiência boliviana pelo fato da dificuldade em conseguir abastecer as motos. Preço mais caro que boliviano, já que eles tem preço subsidiado, até concordo, mas se ao menos todos os postos abastecessem, seria tranquilo, mas não, a maioria não abastecia, sempre com a desculpa de que o sistema para estrangeiros estava fora do ar, o que nos obrigou a abastecer na maior parte das vezes, nos "postos clandestinos", pessoas que vendem em seus comércios, fundo de casa, gasolina no galão, de qualidade duvidosa, mas preço mais em conta que nas "estaciones de servicios". A comida, tanto no Peru quanto na Bolívia,não é para quem não come de tudo, que é o meu caso, mas dá para levar. Mas a questão do combustível foi determinante para evitar a Bolívia. Na próxima vez que retornar ao Peru, o caminho será pelo Chile. Já no retorno ao Brasil, a aduana boliviana foi até rápida, já a brasileira, em Corumbá, deixou muito a desejar, lenta,quase parando,o que nos fez perder a manhã toda, já que quando chegamos, na noite do dia anterior, a aduana boliviana estava fechada. Na saída de Corumbá passamos pela tenda da Dona Maria do Jacaré, que já foi reportagem de jornais da Globo e da Record, por cuidar de inúmeros jacarés e chamá-os usando berrante e vários tem até nomes. Retas e mais retas nas rodovias sul-mato-grossenses, davam até sono, principalmente depois do almoço. Vários animais silvestres atropelados, maioria na covardia mesmo. Após 19 dias a nossa viagem chegou ao fim. Desentendimentos, claro que houve, afinal éramos quatro cabeças que tem pensamentos diferentes, mas o mais importante é que soubemos manter a união e não deixamos os desentendimentos atrapalharem a viagem.Agradeço aos amigos,Elizeu,Tiziu e Fabrício pela oportunidade de realizar essa viagem e fica a dica para quem pretende fazer uma viagem longa, peças novas na moto, pastilhas, transmissão,pneus. Não importa se tem pouca quilometragem que trocou, coloque peças 0km para a viagem. Evita muitos problemas que podem até mesmo deixar o viajante na mão na estrada. Até a próxima viagem.
"Taxa" para sair do Peru em direção à Bolívia

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